

Ronaldo Brasiliense
Duas matérias com fontes insuspeitas jogaram uma pá de cal na credibilidade do ex-governador Helder Barbalho (MDB) e no seu discurso ufanista de que vivemos no mundo cor de rosa da Poliana.
Faltando vinte dias para o início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, em Belém do Pará, em novembro de 2025, e todo mundo ficou sabendo através de estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que o Pará se destaca como líder do Ranking da Fome no Brasil, batendo inclusive nosso vizinho mais miserável, o Maranhão, onde a pobreza abunda.
Todos ficamos sabendo que 44 por cento dos paraenses sofrem de alguma insuficiência alimentar, como se não bastasse ter no Pará cerca de 1,3 milhão de cidadãos e cidadãs que sobrevivem exclusivamente da Bolsa-Família do governo federal e que outros 450 mil pescadores que recebem do governo Lula um seguro-defeso de um salário mínimo mensal, por quatro meses, e só assim conseguem matar a fome de suas famílias.
Enquanto o ex-governador Helder Barbalho torrou R$ 310 milhões para beneficiar as elites de Belém com um projeto faraônico como o da Nova Doca de Souza Franco – com suspeitas de superfaturamento – milhares de belemenses continuam vivendo em palafitas, sem água encanada e esgoto sanitário, onde a outrora Metrópole da Amazônia é apontada pelo renomado Instituto Trata Brasil como uma das piores capitais brasileiras em termos de saneamento básico.
O tiro de misericórdia na empáfia e arrogância do midiático Helder Barbalho veio com a divulgação nacional do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil/ 2025, que revela disparidades significativas entre os Estados, avaliados a partir de 57 indicadores sociais e ambientais e o Pará aparece em uma indecente “lanterna” no Brasil.
Os índices na saúde, educação, infraestrutura e serviços públicos ajudam a medir onde o Brasil avançou e onde patina.
O ranking organiza os Estados em nove faixas de desempenho, representadas por cores, facilitando a visualização das áreas críticas e mais desenvolvidas.
O Pará permanece entre os Estados mais vulneráveis, com pobreza persistente, baixa expectativa de vida e restrições severas em serviços básicos.
O ranking nacional nos mostra que o desenvolvimento local ainda é distante da realidade da população amazônica, onde regiões inteiras convivem com baixo IDH e limitada presença do Estado.
Como se já não bastasse o Pará ter quatro municípios entre os dez piores do Brasil em Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, que atinge municípios como Melgaço, Chaves e Anajás, no arquipélago do Marajó, e Jacareacanga, no sudoeste do Pará, onde indígenas Munduruku e garimpeiros travam há anos uma guerra desigual, num Estado onde o governador sancionou lei criando o Dia do Garimpeiro, algo inédito em toda a Amazônia Legal.
Este, enfim, é o Pará real, e a Belém sem maquiagem que o midiatico ex-governador Helder Barbalho tenta esconder.

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