
Reina um silêncio sepulcral sobre o inquérito policial que mostrou que a Assembleia Legislativa do Pará – uma suposta casa do povo – se transformou em um campo fértil para a corrupção sem disfarces. O esquema corrupto deve virar peça de campanha no horário gratuito de propaganda eleitoral.
A Polícia Federal, a Controladoria Geral da União (CGU) e Ministério Público Federal (MPF) realizaram a Operação Expertise, em Belém e Marituba, escancarando um esquema criminoso que funcionava com a utilização de empresas para firmar contratos superfaturados ou por serviços que não eram prestados.
A investigação policial apontou que as empresas Líder Engenharia, Fortes Comércio & Serviços, Max Empreendimentos e Brasil Brasil Ltda foram as principais beneficiadas pelo esquema corrupto na Assembleia Legislativa, na gestão do atual presidente, deputado Chicão Mello, candidato ao Senado pelo partido União Brasil.
O contrato firmado entre a Fortes Comércio & Serviços e a Assembleia Legislativa do Pará, por exemplo, para manutenção predial, é emblemático sobre como funcionava o esquema corrupto.
Firmado em R$ 12,9 milhões, o contrato sofreu aditivos ilegais, elevando seu valor para mais de R$ 23 milhões. O inquérito policial revelou que a mesma ata de registro de preços da Alepa foi usada de forma irregular por outros órgãos públicos para contratações, como o Detran, a Polícia Científica do Pará e a Prefeitura de Marituba, na região metropolitana de Belém.
Entre os presos na Operação Expertise, estão Fabricio Buarque Corrêa, assessor especial lotado no gabinete do presidente da Alepa, deputado Chicão Mello, e Sandro Rogerio Nogueira Sousa Matos, também servidor do legislativo estadual.
NÚCLEO ALEPA
Na denúncia formalizada pela Polícia Federal, o “Núcleo Alepa” é “formado por servidores corruptos que, mediante o recebimento de propinas pagas pelos integrantes do “Núcleo Empresarial”, atuavam na facilitação e direcionamento dos contratos, especialmente os firmados com a empresa Líder Engenharia.”
Entre os denunciados estão Fabrício Buarque Correa, lotado no gabinete dao presidente da Alepa, que acumulou patrimônio pessoal invejável, dono de Toyota Corolla, Toyota Hilux e caminhões e recebeu R$ 250 mil em transferência bancária da empresa Líder Engenharia.
Sandro Rogério Nogueira Sousa Matos, também servidor de carreira da Alepa, seria responsável pela intermediação dos pagamentos feitos pela empresa Líder Engenharia. Surpreende saber, pelo apurado pela PF, que Sandro Rogério recebia salário mensal de R$ 175 mil, embora seu patrimônio pessoal declarado seja de apenas R$ 34 mil.
Ainda em agosto de 2025, a Polícia Federal registrou a ousadia do esquema que transformou a Alepa num grande centro de distribuição de propinas.
Na surdina, policiais federais acompanharam os passos dos empresários Jacélio Igreja e Alex Jordano e de servidores da Alepa em um saque realizado dentro da própria casa legislativa, em uma agência do Sicoob instalada nas dependências do prédio.
Em apenas três meses, apurou a PF, R$ 14 milhões foram sacados da agência que funciona nas dependências da Assembleia Legislativa.
Em seguida vinha o mais escandaloso: após os vultosos saques em dinheiro vivo, empresários e servidores almoçavam juntos no restaurante da Alepa, como se estivessem em um grande convescote de uma ação entre amigos.
ESCÁRNIO
“O grupo vem se utilizando estrategicamente das dependências da Assembleia Legislativa do Estado do Pará para movimentação regular de numerário oriundo de desvios de recursos públicos, em total escárnio com a coisa pública”, diz a denúncia da polícia, acatada pela Justiça.
Sem nenhuma vergonha, empresários entravam na agência bancária e retiravam sacolas, malas e mochilas recheadas de dinheiro. Horas depois, o dinheiro era dividido com funcionários dentro da repartição ou em estacionamentos, tudo filmado e fotografado pela PF para que não parassem dúvidas sobre o malfeito.
A empreitada corrupta era então festejada até mesmo em almoços no restaurante interno da Alepa.
A sentença judicial que autorizou a Operação Expertise destacava ainda , curta e grossa, que a corrupção era “contínua, sistemática e generalizada”, tratada de forma rotineira pelos personagens envolvidos.
Helder, campeão nacional
de operações da Federal
Você sabia que o governo de Helder Barbalho (MDB) foi o campeão nacional de operações da Polícia Federal? Em uma delas, a PF fez busca e apreensão na mansão do governador e no Palácio do Governo, algo inédito na história do Pará…
Descarada compra de votos
Quando a Polícia Federal, acionada pela justiça eleitoral, vai acabar com a farra de distribuição de cestas básicas pela Prefeitura de Belém, descarada tentativa de comprar o voto de eleitores da periferia da capital?
Aguardando, de camarote…
Cadê credibilidade?
A Atlasintel, que fez pesquisa colocando Hana Ghassan na frente do Dr.Daniel Santos, é a mesmíssima empresa que tem contrato de R$ 1,6 milhão com o governo de Hana Ghassan.
A pesquisa da Atlasintel, então, tem a mesma credibilidade de uma moeda de dois reais.

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