

Ronaldo Brasiliense
No intervalo do primeiro para o segundo turno nas eleições presidenciais de 1989, o Jornal do Brasil me mandou para a região mais pobre do Nordeste – o Maranhão e o Piauí -, ao lado do repórter-fotográfico José Varella, um craque, que já nos deixou.
A missão era ver a ação da Igreja Católica, das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), principalmente, que garantiram a vitória do “sapo barbudo” Luiz Inácio Lula da Silva sobre Leonel Brizola e a classificação para disputar o segundo turno com o “Caçador de Marajás” – nome batizado pela grande imprensa ao então governador de Alagoas – o riquinho Fernando Collor de Mello.
No Maranhão visitamos Pinheiro, terra de José Sarney, mas concentramos fogo no município de Presidente Vargas, onde Lula ganhou fácil de Brizola e do próprio Collor, e acompanhamos uma procissão organizada pelas CEBs, juntando a população mais humilde, onde numa manhã nublada, cinzenta, José Varella chorou emociado quando um facho de luz cobriu a procissão, de ponta a ponta…
No Piauí, fomos direto para Picos entrevistar Dom Augusto Rocha, bispo da linha progressista, então presidente da Comissão Pastoral da Terra, que nos ensinou o caminho das pedras.
Mas foi no município de Floriano, na divisa direta com Barão de Grajaú, no Estado do Maranhão, separada pelo rio Parnaíba, que a sensibilidade do José Varella consegui a fotografia que ganhou a dobra de cima da primeira página da edição dominical do Jornal do Brasil: numa pequena igreja da periferia de Floriano, um padre católico, apostólico, romano acendendo uma vela em um cartaz da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que enfeitava o púlpito do Altar, exibindo o engajamento na campanha de Lula.
No segundo turno de 1989, com forte apoio da chamada “imprensa burguesa” – como ocorre atualmente – Fernando Collor foi eleito presidente da República, mas Lula cravou para sempre seu nome na história do Brasil.

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