
Milhares de paraenses morreram durante a pandemia do novo coronavirus sem sequer ter acesso a uma Unidade de Terapia intensiva (UTI), com respirador mecânico, mas enquanto o caos espalhado pela covid 19 fazia vítimas por todo o Pará, uma quadrilha formada por organizações sociais picaretas saqueava os cofres da saúde do governo do Pará como nunca antes na história do Estado.
Ronaldo Brasiliense
Na avaliação de Jorge Hage Sobrinho, magistrado, professor e político brasileiro, ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, órgão da Presidência da República, no governo de Jair Bolsonaro, o Pará foi o Estado campeão nacional da roubalheira durante a pandemia.
Três operações da Polícia Federal realizadas no Estado levaram para a prisão o ex-chefe da Casa Civil do governador Helder Barbalho, o ex-prefeito de Tucuruí, Parsifal Pontes; o então secretário de Estado de Transportes, Antonio Pádua Andrade; o então assessor especial de Helder, Leonardo Nascimento, além do secretário-adjunto de Saúde, Peter Cassol.
Com Cassol a Polícia Federal encontrou uma caixa térmica abarrotada com R$ 745.000,00, dinheiro provavelmente da corrupção que grassava na Secretaria de Saúde do Pará.
A Polícia Federal invadiu a mansão do governador no condomínio de luxo Lago Azul, em Ananindeua, apreendendo computadores e documentos e os celulares de Helder Barbalho e da primeira -dama Daniela Barbalho, e pela primeira vez na história do Pará o próprio palácio do governo sofreu uma devassa da PF.
Levantamento feito pela Polícia Federal concluiu que a quadrilha das organizações sociais picaretas contratadas com dispensa de licitação movimentou R$ 1,2 bilhão na administração de quatro hospitais de campanha – em Belém, Santarém, Breves e Altamira, além de ter roubado na gestão de cinco hospitais regionais.
Somente o operador financeiro da quadrinha, Nicolas Tsontakis, o Gordo, teria desviado R$ 455,5 milhões. O dinheiro da saúde, que deveria ter sido utilizado para salvar vidas, foi torrado em aviões, helicóptero, carros importados, apartamentos de luxo e em fazendas de gado.
Nicolas Tsontakis, por exemplo, segundo matéria exibida no Fantástico, da TV Globo, chegou a possuir um rebanho com 180 mil cabeças de gado.
Todos os suspeitos presos pela Polícia Federal foram libertados por decisão monocrática do ministro José Dias Toffolli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que contrariando parecer do Ministério Público Federal também libertou da cadeia Nicolas Tsontakis, que foi colocado há mais de ano em prisão domiciliar em sua gigantesca fazenda no Nordeste paraense por “razões humanitárias”.
O inquérito que apura a roubalheira das organizações sociais contratadas com dispensa de licitação pelo governador Helder Barbalho dorme em berço esplêndido nas gavetas do ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), surpreendente em “segredo de justiça”.
Os ladrões de dinheiro público estão todos aí para contar a história.
Todos ricos, todos soltos.
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