Escândalo do Banpará: Jader Barbalho continua impune, 40 anos depois

Jader Barbalho desviava dinheiro do Banpará para conta em seu nome no Banco Itaú, agência Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Divulgação.

“Estou pronto para explicar o meu relatório aos parlamentares. Se me deixarem falar, não restará mais dúvidas. Os beneficiários das aplicações do Banpará são Jader Barbalho, seus familiares e empresas de sua propriedade”, afirmou o auditor-fiscal do Banco Central, Abrahão Patruni Júnior, autor do relatório sobre o desvio de R$ 10 milhões, em valores atuais, ocorrido no Banco do Estado do Pará (Banpará) quando Jader Fontenelle Barbalho governou o Pará, entre 1983 e 1986..

Após receber inclusive ameaças de morte, Abrahão Patruni decidiu falar sobre o escândalo do Banpará, que investigou como funcionário do quadro de carreira do Banco Central do Brasil. Ele reafirmou que o relatório de número 9200047419 é uma bomba contra o Jader Barbalho (PMDB-PA). ”Basta ler”, disse.

Segundo Patruni, entre os anos de 1984 e 1987 o então governador Jader Barbalho montou uma operação engenhosa que desviou dinheiro do Banpará para uma conta no banco Itaú, agência Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Uma parte desse montante voltava para os cofres do Estado e outra era retirada em cheques ao portador. A parte retirada correspondia exatamente à correção pelas perdas inflacionárias, num tempo em que a inflação variava entre 30 e 40% ao mês.

Rastreamento – Ao rastrear o caminho desses cheques, Patruni concluiu que o desvio chegou a R$ 1 milhão

Patruni registrou tudo no relatório 9200047391, de 209 páginas, que foi divulgado na imprensa em 1996. Na época, Jader queria pressionar o governo federal com a CPI dos Bancos. Houve, então, uma orientação no BC para que Patruni terminasse rapidamente o relatório. A intenção era ameaçar Jader e fazê-lo desistir da CPI dos Bancos. A chantagem funcionou. A investigação, no entanto, prosseguiu. Patruni foi percorrendo todo o caminho dos cheques e descobriu que o montante do desvio era dez vezes maior, R$ 10 milhões, e que o dinheiro ia para contas de empresas de Jader, de seus empregados, do pai do senador, o falecido Laércio Barbalho, e de Elcione Barbalho, ex-mulher de Jader e hoje candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará. Em nome do pai!

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