Os gargalos na infraestrutura que mantêm o Pará na miséria

Ronaldo Brasiliense

O Pará é um Estado rico, mas, paradoxalmente, seu povo é pobre.

Mais de 1,3 milhão de paraenses – de uma população de 8,7 milhões – vivem na extrema pobreza, garantindo o sustento com a Bolsa-Família do governo federal.

Somos o maior produtor de minérios do Brasil, liderando as exportações de minério de ferro, bauxita, caulim e estamos entre os maiores da Federação na produção de alumina, alumínio, cobre, níquel e manganês, mas isso não se reverte em benefício da população.

O Pará também se destaca entre os maiores produtores de energia do Brasil, tendo em seu território duas entre as três maiores usinas hidrelétricas do país: Tucurui, no rio Tocantins, e Belo Monte, no rio Xingu. Apesar disso, o paraense paga uma das maiores tarifas de energia elétrica do país.

Somos, sim, há séculos, o almoxarifado da Nação…

Contribuímos há anos com grande parte do superávit da balança comercial brasileira, mas mesmo assim não recebemos a compensação merecida.

As principais obras de infraestrutura prometidas pelo governo federal no Pará não saem do papel, seja por exigências ambientais, seja pelo não atendimento às demandas das comunidades indígenas, originais.

Estão paralisadas ou ainda sequer saíram do papel obras como a Ferrovia do Grão, a Ferrogrão, entre Sinop, no norte do Mato Grosso, e os portos de Miritituba, em Itaituba, no sudoeste paraense, com 930 km de extensão, que viabilizaria o escoamento de boa parte da produção de grãos da região Centro-Oeste pelo rio Tapajós.

Também permanecem paralisadas as obras de derrocamento do Pedral do Lourenção, no município de Itupiranga, que viabilizaria a hidrovia do Rio Tocantins de Marabá, no Sudeste do Estado, aos portos de Vila do Conde, em Barcarena, na região metropolitana de Belém.

O Pará também sofre as consequências da morosidade do Ibama para liberar a exploração de blocos na Foz do Rio Amazonas, na chamada Margem Equatorial, começando com a perfuração de um poço pioneiro na costa atlântica do Amapá. Os royalties da exploração petrolífera na Margem Equatorial poderiam mudar da água para o vinho a situação de milhares de famílias não apenas no Amapá, mas também nos 17 municípios que estão localizados no arquipélago do Marajó, no Pará, muitos dos quais estão incluídos na relação dos municípios com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

Hidrovia no Rio São Francisco não sofre nenhuma restrição

O rio São Francisco terá uma nova hidrovia para transporte de cargas do Sudeste (a partir de Pirapora-MG) para o Nordeste (a Juazeiro-BA e Petrolina-PE).

O projeto, apresentado pelo governo federal na última sexta-feira (13), é utilizar os 1.371 km de extensão navegáveis com uma projeção de movimentar cinco milhões de toneladas.

Entre as cargas previstas, estão insumos agrícolas, gesso, gipsita, calcário, grãos, bebidas, minério e sal.

O ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, afirmou que a hidrovia será muito estratégica para o desenvolvimento da região. Neste mês de junho, ele disse que iria assinar a delegação das obras à Companhia das Docas do Estado da Bahia.

Na sequência, estão previstos os estudos técnicos, conforme o ministro.

No percurso, o Velho Chico passa pelo Distrito Federal, por Goiás, pela Bahia, por Sergipe, Alagoas e Pernambuco. São 505 municípios e mais de 11,4 milhões de pessoas beneficiadas.

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