Chuvas levam caos a Belém

Chuva forte na Grande Belém. — Foto: Divulgação
Ronaldo Brasiliense

Faltando quatro meses para o início da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, Belém do Pará está sendo reprovada, com louvor, em obras orçadas em cinco bilhões de reais e executadas para receber supostos 50 mil turistas.

Bastaram três chuvas no chamado “Verão Amazônico” para transformar Belém num grande lago, com inundações em todos os bairros, trazendo o caos para a população.

Duas das maiores obras realizadas em Belém foram literalmente por água abaixo: a Nova Doca de Souza Franco, que teve 100 metros inaugurados com banda de música pelo midiático governador Helder Barbalho (MDB), com discurso de que as enchentes recorrentes durante chuvas fortes e maré alta seriam coisas do passado.

Helder Barbalho garantiu em público que as novas comportas construídas a peso de ouro – o projeto está torrando em estratosféricos R$ 310 milhões de dinheiro público – tornariam a Nova Doca à prova de alagamentos. A promessa de Barbalho naufragou na primeira chuva.

Como se não bastasse o fracasso da Nova Doca, obra feita para beneficiar as elites endinheiradas de Belém – supostamente superfaturadas – o maior de todos os projetos para a COP 30, o Parque da Cidade, implantado na antiga área do Aeroclube de Belém, ao longo da Avenida Júlio César, também fez água.

Inaugurado prematuramente com festa por Helder Barbalho e sua candidata ao governo em 2026, a vice-governadora Hana Ghassan, o Parque da Cidade naufragou na primeira chuva: a pista de skate foi para o fundo, e a garotada se divertiu como se estivesse surfando nas ondas de Salinópolis, o balneário dos ricos de Belém.

Mas, porém, todavia, os estragos provocados pelas primeiras chuvas de verão em Belém se espalharam por toda a “Capital das Mangueiras”: da Estrada Nova, Guamá, ao Bengui; da pobre Terra Firme ao Entroncamento; da Cidade Velha ao chique bairro do Umarizal; de Nazaré a Canudos, de São Braz ao popular bairro da Pedreira.

Locais onde as inundações nunca haviam chegado nos mais de 400 anos de história da capital foram tomados pelas águas.

Veja abaixo:

Vitrine Pará
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O experiente meteorologista José Raimundo Abreu, do Instituto Nacional de Meteorologia, explicou ao portal Olavo Dutra que a chuva da quarta-feira, 2 de julho, chegou a acumular 75 mm no bairro do Curió-Utinga, um dos pontos monitorados pelo Instituto, enquanto o bairro da Pedreira registrou 42 mm de chuva, e 35 mm no Entroncamento. A chuva durou pouco mais de 40 minutos e seguiu de maneira irregular, com alguns pontos da cidade registrando um maior volume de água, como no Curió-Utinga.

Pouco importa.

A Belém da COP 30 foi para o fundo.

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