
Ronaldo Brasiliense
A Cúpula da Amazônia chegou ao fim em Belém do Pará com aquele gostinho de quero mais e uma imensa frustração pelo muito que deixou de produzir.
A não ser no genérico, não houve consenso entre os representantes dos oito países presentes na capital paraense sobre temas importantes para o futuro da maior floresta tropical úmida do mundo, como o desmatamento zero e a exploração de petróleo na a chamada Margem Equatorial, ou foz do Amazonas, como querem os ambientalistas de plantão, contrários à exploração na costa atlântica do Amapá ao Rio Grande do Norte.
Os diálogos amazônicos teriam reunido 27 mil pessoas, incluindo os chamados “povos da floresta” – indígenas, quilombolas, ribeirinhos, seringueiros e afins – mas faltou diálogo em Tomé Açu, na região Nordeste do Pará, onde quatro indigenas tembé foram baleados em confronto com supostos seguranças de uma empresa produtora de dendê, onde a Polícia Militar do governador Helder Barbalho (MDB) teria atuado de forma parcial, pró agronegócio.
Também repercutiu muito mal – e foi ignorada pela imprensa nacional presente aos eventos, a denúncia contra a Prefeitura de Belém, governada por Edmilson Rodrigues, do PSOL, que cidadãos e cidadãs venezuelanos, pedintes nas esquinas de Belém, teriam sido recolhidas em cárcere privado, medida adotada preventivamente para evitar possíveis protestos contra o ditador Nicolas Maduro, que acabou cancelando sua vinda a Belém, a convite de Lula.
Quem roubou a cena na Cúpula da Amazônia foi o presidente colombiano Gustavo Petro, que defendeu o fim da exploração de petróleo e gás em todos os países que detêm porções da floresta tropical úmida amazônica e nem deu bola para a proposta de desmatamento zero na Amazônia até 2030, proposta que sequer chegou a ser defendida pelo presidente Lula.
Petro foi contundente nas críticas.
“Se houver exploração de petróleo na Amazônia, os países da região estarão matando a humanidade”, afirmou. “É possível manter uma linha política desse nível? Apostar na morte e destruir a vida? Ou devemos propor algo diferente, que é o que chamo de sociedade descarbonizada?”, concluiu.
O desmatamento zero até 2030 na Amazônia não passa de uma piada para norueguês ver. A não ser que inventem roças aéreas, pois milhares de famílias indígenas, quilombolas e ribeirinhas – que sustentam a agricultura familiar – precisam todos os anos desmatar partes da floresta tropical para manter suas roças de mandioca, milho, feijão, arroz, legumes e frutíferas, base da alimentação de boa parte dos quase trinta milhões de brasileiros que sobrevivem – milhões sem água tratada e esgoto – nos nove Estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
A Declaração de Belém, assinada por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Peru e Suriname não passa de uma carta de boas intenções, onde os países da Amazônia passam o chapéu pedindo euros e dólares para preservar a floresta e a propalada maior biodiversidade do planeta Terra.
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